Vitória: Aeropark afasta delegada do Sindicato Nacional dos Aeroviários

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A delegada do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Vera Lucia Fonseca da Silva, está afastada de sua função de Agente de Proteção desde o início de maio pela Aeropark, empresa responsável pela segurança e inspeção de bagagens. Ela teve a credencial retirada pelo fiscal operacional, Jonas Salomão sob a alegação de que estaria “atrapalhando o curso normal de trabalho”.

Segundo o sindicato, a acusação sobre Vera é sobre uma atividade que incomoda muito os empresários: alertar aeroviários sobre seus direitos trabalhistas, garantidos pela Regulamentação Profissional e pela CCT (Convenção Coletiva de Trabalho). Segundo ela, trabalhadores sofrem constantemente com abusos morais e não pagamento de domingos, feriados e horas-extras.

“Somos o tempo todo ameaçados com demissões e suspensões. Isso tudo me angustiava muito. Quando fui convidada para fazer parte do SNA vi nessa oportunidade a possibilidade de trabalhar pelos aeroviários, combater esses desmandos e exigir nossos direitos. Estou perplexa com essa situação toda. São quase oito anos de trabalho em que sempre contribui com a empresa, não tenho em meu currículo nada que me desabone. Mas isso não vai me intimidar. E que não venham mais ameaçar nenhum trabalhador desta ou de outra empresa daqui de Vitória. Porque continuo lutando pelo direito da categoria”, afirma Vera Lúcia.

Renato Silva, dirigente sindical do SNA na base de Vitória, tentou questionar o fiscal operacional sobre sua atitude, mas ouviu como resposta um simples “casos como esses devem ser tratados apenas com o gerente”. O setor jurídico do Sindicato está sendo acionado para que Vera Lúcia possa voltar a exercer suas atividades não apenas como Agente de Proteção, mas também como dirigente sindical. 

Irregularidades cometidas pela empresa

De acordo com Renato, as irregularidades cometidas pela Aeropark são muitas e não se resumem apenas à perseguição de dirigentes sindicais. Ele conta que a  empresa comete excesso na jornada de trabalho; não paga domingos, feriados e horas-extras ou não as compensa devidamente; escalas são frequentemente modificadas; gestantes não têm direitos respeitados; acontece a  prática de assédio moral;  não se respeita as doze horas  descanso entre uma jornada e outra e não são pagos os direitos correspondentes à diária, horas-extras e alimentação durante atividades laborais realizadas fora do ambiente de trabalho.

Os problemas da Aeropark não se limitam apenas a Vitória. No dia 10 de abril, o presidente do SNA, Luiz da Rocha Cardoso Pará, se reuniu com representantes da empresa em Campinas, para questionar as inúmeras denúncias recebidas pelos trabalhadores em diferentes bases do Brasil. O encontro resultou no agendamento de nova reunião com Infraero em Brasília. “O objetivo é resolver problemas não apenas da Aeropark, mas de outras prestadoras de serviços que atuam no país”, afirmou o presidente.  

Redação FENTAC/CUT com SNA