Menos spread, mais empregos e salários

Demorou, mas o governo brasileiro acabou fazendo mais um de seus deveres de casa: declarou – com ações – que o Brasil não pode continuar com um spread bancário tão alto. Ao menos não em um banco do Estado.

275

A ação foi a demissão do presidente do Banco do Brasil (BB), Antônio Francisco de Lima Neto, no dia 8 de abril. O recado poderia servir a todos os bancos.

Spread é a diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes. Em 2008, segundo a Folha de São Paulo, os brasileiros gastaram com o spread 2,5 vezes o orçamento do governo destinado à Saúde. O BB se comportou como um banco privado, aplicando altas taxas de spread, em busca de lucratividade. O presidente Lula já havia pedido mudanças às quatro instituições: BB, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste. Não foi ouvido. Então, Lima Neto, do BB, foi demitido.

“Combatemos dirigentes de bancos públicos que se comportam como dirigentes de bancos privados”, disse a ministra Dilma Rousseff. Foi mais um passo do governo, com firmeza, em prol da economia nacional, dos empregos, do afastamento da crise.

Mais ainda são necessárias outras ações para superarmos os efeitos da crise, como uma política diferenciada para os setores mais afetados, subordinada ao fortalecimento do mercado interno, e contrapartidas sociais, com garantia de emprego e renda. Os trabalhadores do setor aéreo e de todos os outros setores da economia clamam por isso.

Fonte: Jornal Conexão – ed. nº 24