“Para ter uma sociedade igualitária, temos que construir junto com as mulheres e homens”, afirma aeroportuária Mara

A dirigente do Sina é também a Secretária da Mulher da CNTTL

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística da CUT (CNTTL) fez uma série, em comemoração ao mês Internacional das Mulheres chamada: Mulheres no Transporte.

Entre as trabalhadoras, está a aeroportuária Mara Meiry Tavares de Jesus Amaro, Secretária da Mulher da CNTTL, dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina/CUT) e funcionária na Infraero, no Aeroporto de Uberlândia (MG).

Em entrevista ao Portal da Confederação, Mara conta que a sua vocação em lutar pelos direitos iniciou logo na adolescência. “Sempre demonstrei indignação e revolta diante de qualquer injustiça. Nunca me calei”, frisa.

Como Secretária da Mulher da CNTTL/CUT ela quer ir longe: investir em capacitação e informação para as mulheres em transportes da base da Confederação no Brasil. “Precisamos eleger mais mulheres em todas as instâncias de poder deste país e assim construirmos uma legislação mais justa e que as leis sejam efetivamente cumpridas. Mulheres verdadeiramente empoderadas”, enaltece.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Portal CNTTL/CUT: Uma das bandeiras de lutas do Dia Internacional das Mulheres é a defesa da democracia e não ao retrocesso nas conquistas sociais e trabalhistas. Por que as mulheres devem abraçar essa bandeira?

Mara Meiry: É inadmissível que em pleno século 21 nós estejamos regredindo de maneira absurda para dizer o mínimo. Há pelo menos 10 projetos de lei em pauta no Congresso Nacional, que precisam de atenção, pois ferem gravemente o direito dos trabalhadores e afetam sobremaneira não só a mulher, como trabalhadora, mas principalmente, a mulher como pessoa e ser humano.

São projetos nefastos que atacam os direitos da mulher como, por exemplo, a criminalização da vítima de violência sexual, bem como tratam da privatização das estatais, da redução da maioridade penal, da retirada da Petrobras como operadora única do pré-sal, do  estatuto da família, da lei antiterrorismo, da terceirização sem limites e até flexibilizam o conceito do trabalho escravo.

É lamentável que esses retrocessos estejam em pauta no único governo feminino da história do nosso país.  É por isso que agora mais do que nunca as mulheres precisam estar unidas para não permitir que um parlamento totalmente machista e conservador venha decidir e interferir na vida das mulheres.

À frente da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CNTTL, quais são os seus planos para fortalecer e organizar as  lutas de todas as mulheres trabalhadores em transporte do Brasil?

 Mara: Não há como promover qualquer tipo de enfrentamento se não tivermos superdotados de informação. Como Secretária da Mulher da CUT, na Regional do Triângulo Mineiro em Minas Gerais, iniciei um trabalho positivo, que desejo levá-lo para a CNTTL.

A proposta de trabalho consiste basicamente em reunir mulheres de todas as classes, inclusive de movimentos sociais e lideranças, independente de corrente política, religião, partido e outras diferenças que não contribuem para o nosso fortalecimento. A partir dessa união, vamos compartilhar experiências, informações, conhecimento e a capacitação para que todas juntas possamos construir soluções para os nossos problemas, independente da condição ou lugar. Temos que parar de discutir problemas e avançar nas propostas de solução. 

Você também atua como diretora do  Sina no Comitê de Mulheres da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF). Conte-nos sobre essa rica experiência.

 Mara:  Conhecer a realidade dos trabalhadores de outros países ajuda a ampliar os horizontes. Pude constatar  que as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores impostas pelo capitalismo e a burguesia são as mesmas  independente da nacionalidade.  O que difere são os níveis que varia de acordo com a política de cada país.

Não existe outra forma de se enfrentar e vencer qualquer batalha se não houver união de todas as classes, que na verdade não passam de uma só: a classe dos trabalhadores.
Sediada em Londres, a ITF representa mais de 4,5 milhões de trabalhadores em transportes de 150 países e também tem um grande alcance político na intervenção para solução de problemas junto aos governos. Além disso, investe em capacitação sindical. Estou participando de um curso “Educação Sindical para jovens e mulheres”, que tem por objetivo qualificar pessoas que possam propagar esse conhecimento em suas bases.

 O machismo é um problema sério que enfrentamos no dia a dia. O que deve ser feito para construirmos uma sociedade com igualdade de oportunidades entre homens e mulheres?

Mara: Hoje, enfrentamos a luta contra a cultura, o preconceito que, infelizmente, não tem origem só nos homens. Existem muitas mulheres "machistas", e o pior é que elas perpetuam o machismo através da educação que dão aos seus filhos MACHOS. 

Esta é a luta mais difícil para nós e também a mais dolorida, pois sofrer o machismo de homens que não têm sensibilidade para alcançar as nossas lutas e dificuldades é normal. Agora sofrer a discriminação de mulheres que conhecem exatamente a extensão das nossas batalhas e dores, isso é muito triste.

A luta feminista não pode ser um movimento excludente em relação aos homens. Temos excelentes companheiros que, mesmo que não alcancem a nossa causa, apresentam disposição para nos apoiar e merecem o nosso respeito. O movimento de exclusão representa um machismo às avessas. Temos que somar todas as forças junto com os homens e mulheres.