Brasil abre mão de seus aeroportos por valores baixos

Em matéria da CUT, o diretor Francisco Lemos aborda situação das concessões brasileiras por pontos de vista baseado em números que impressionam

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O Brasil cedeu 22 aeroportos por um valor médio de R$ 155 milhões. Esse é um cálculo realizado pela CUT, que em matéria divulgada em seu site compara este valor a compra de 15 apartamentos de luxo em grandes capitais como Rio de Janeiro ou São Paulo.

Com a concessão desses aeroportos, uma série de consequências puderam ser sentidas na aviação. Conforme número levantado pelo entrevistado Francisco Lemos, presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA) e também dirigente da FENTAC, a Infraero foi uma das principais afetadas com as concessões.

Segundo Lemos, a estatal brasileira hoje administra apenas dezoito aeroportos, número que já foi mais de três vezes maior, chegando a 62. Com a redução, o número de trabalhadores hoje está em cinco mil e quinhentos, número que já foi de dezoito mil. Ainda conforme Lemos, o número de demissões só não foi maior por conta da falta de concursos públicos no país, que fez com que muitos trabalhadores fossem realocados para outros órgãos do governo.

Lemos traz o caso de Viracopos para salientar que o processo de concessão pode dar errado. Concedido em 2012 para a concessionária Aeroportos Brasil, Viracopos hoje espera um novo leilão, visto que a empresa acumulou R$ 2,88 bilhões em dívidas e iniciou uma recuperação judicial.

Além desta concessão de Viracopos que já falhou, Lemos fala sobre o aeroporto de Natal (RN), que pode possivelmente ter um destino semelhante, assim como os aeroportos de Teresina (PI), Rio Branco (AC), São Luís (MA), Porto Velho (RO), Maceió (AL) e Aracaju (SE).

Na entrevista, Lemos faz ainda uma reflexão sobre a operação de alguns aeroportos no país. Segundo ele, algumas destas operações dificilmente darão lucro, seja nas mãos de concessionárias ou da Infraero, e o que deveria acontecer é que operações mais lucrativas as financiem. Ele ainda complementa acrescentando que essas empresas que administram aeroportos acabam aumentando valores cobrados, deixando o aeroporto menos competitivo e que “quem vai pagar é o consumidor com o repasse das tarifas no valor da passagem”.

Mais dados trazidos pela CUT

– As outorgas de 51% dos aeroportos de Guarulhos, Galeão (RJ), Confins (BH), Viracopos (Campinas) e de Brasília estão suspensas devido à crise econômica das empresas.

– Somente em 2020, o governo federal deixou de arrecadar 2,3 bilhões em receitas com os aeroportos acima citados.

– No último dia 7 de abril, outros 22 aeroportos localizados em 12 estados brasileiros foram leiloados. Esses aeroportos representavam 11% do tráfego de passageiros do Brasil antes da pandemia.

Confira a matéria da CUT: https://bit.ly/3tCkVf0