Campanha Salarial: "Proposta das empresas aéreas é insuficiente e acarreta perdas nos salários", diz Sergio Dias, presidente da FENTAC

    Empresas insistem em parcelamento por faixas salariais, que já foi rejeitado pelos trabalhadores

    310

    Terminou sem avanço a rodada de negociação da Campanha Salarial dos aeronautas e aeroviários, representados pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (FENTAC/CUT), com o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) realizada na tarde desta quarta-feira (27), na sede da entidade patronal, em São Paulo. A rodada acata uma determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

    Mais uma vez, o SNEA, que representa as companhias TAM, Gol, Avianca e Azul, manteve a proposta de reajuste fatiada por faixas salariais, que é considerada ruim para os trabalhadores porque sofrerão perdas salariais ao longo do período da aplicação destes reajustes.

    A proposta das empresas prevê  para os que ganham até R$ 1,500 (atinge 45% dos aeroviários das empresas): 5,5% em fevereiro e 5,5% em junho; para os salários e pisos de R$ 1.500 a R$ 10.000,00: 3% em fevereiro, 2% em junho e  6% em novembro, sendo que o reajuste seria aplicado sobre o salário de novembro.

    Já para os salários acima de R$ 10.000: R$ 300 em fevereiro, R$ 200 em junho e R$ 600 em novembro, sem aplicação de teto para os aeronautas. Nessa proposta incluiria a criação de um piso mínimo para creche para os aeroviários e um possível um aumento no Passe Livre para os aeronautas, de cinco para sete vezes. Em relação aos benefícios (vales-refeição, alimentação, diárias nacionais e seguro) o reajuste proposto pelas empresas seria de 11% retroativo à data-base, que seria pago em fevereiro.

    Insuficiente

    A FENTAC/CUT e os sindicatos dos aeroviários de Campinas, Guarulhos, Porto Alegre, Recife e das bases dos Sindicatos Nacional dos Aeroviários e Aeronautas rejeitaram novamente essa proposta das empresas, porque além de não ser retroativa à data-base, acarretará perdas salariais drásticas. Esse formato também foi reprovado em assembleias dos trabalhadores no dia 25 janeiro.

    Segundo levantamento feito pelo técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) da FENTAC, Mahatma Ramos, os trabalhadores em solo (aeroviários) que recebem de R$1,053 a R$1,500 seriam os mais prejudicados. “Como recebem salários baixos, eles teriam uma perda salarial de 47,89%.  Essa proposta fatiada materializa uma política de precarização da mão de obra e uma gestão de rebaixamento de salários”, afirma.

    O presidente da FENTAC, Sérgio Dias, reforça que os aeronautas e aeroviários reivindicam a proposta de reajuste salarial de 11% retroativa à data-base, que fará a recomposição das perdas inflacionárias nos salários.

    "Reconhecemos o esforço das empresas que saíram do reajuste zero e chegaram aos 11%, mas esse formato de parcelamento por faixas salariais é prejudicial. Lamentamos que as empresas só priorizam seus investimentos e não valorizam os aeronautas e aeroviários que são responsáveis pelo ótimo desempenho do setor”, frisa.

    As negociações com o SNEA  estão suspensas.
    ""
    Comandantes, pilotos, co-pilotos e comissários foram ao SNEA para acompanhar a negociação – foto: Viviane Barbosa/Mídia Consulte

     

    Paralisação nacional

    Diante do não avanço nas negociações, os pilotos, co-pilotos, comissários e os aeroviários de Guarulhos, Porto Alegre, Recife, Campinas e nas bases do Sindicato Nacional dos Aeroviários farão assembleias nesta sexta-feira (29) para colocar essa proposta patronal e deliberar sobre a possibilidade de uma paralisação nacional conjunta nos principais aeroportos do País no início de fevereiro.

    A data-base das categorias venceu em 1º de dezembro de 2015 e estão em Campanha na base da FENTAC 70 mil trabalhadores na aviação civil regular.

    Com a colaboração de Vanessa Barboza, da Redação da FENTAC