Campanha Salarial: “Empresas aéreas têm condições de avançar”, frisa FENTAC/CUT

Próxima reunião será realizada na quinta-feira (24), na sede da entidade patronal

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Foi realizada nesta quinta (17) a quarta rodada de negociação da Campanha Salarial dos Aeroviários e Aeronautas da base da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC)  com o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA). A reunião aconteceu no Hotel Transamérica, em São Paulo.

Neste encontro, foram debatidas as reivindicações das cláusulas sociais propostas pelos sindicatos dos trabalhadores e a contraproposta de reajuste salarial. Em relação aos aeronautas, teve destaque a questão das diárias dos tripulantes, direito conquistado na Convenção Coletiva de Trabalho, que as empresas aéreas propuseram alterar, de forma danosa aos trabalhadores.

 “Essa proposta é ofensiva, pois interfere na qualidade das refeições e no tempo para fazê-las. A qualidade de vida dos trabalhadores é de suma importância para que ele possa produzir mais e melhor, portanto, esse direito deve ser respeitado”, adverte o presidente da FENTAC, Sergio Dias.

 Durante a negociação, a Federação e os Sindicatos dos Aeroviários de Guarulhos, Recife, Porto Alegre e Nacional, mais uma vez, reforçaram a importância das empresas aéreas abrirem o diálogo para negociação de novos direitos, que não acarretam custos para as empresas e asseguram melhores condições de trabalho, qualidade de vida e saúde para os trabalhadores. 

 “Não tem porque não haver avanço nesses pontos. A intransigência torna a negociação muito difícil”, pontua Selma Balbino, secretária geral da FENTAC e dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroviários.

Reajuste insatisfatório

Com relação ao debate do reajuste salarial, os Sindicatos já haviam manifestado que a contraproposta patronal de 4%, está muito abaixo da reposição da inflação da data-base da categoria, 1º de dezembro, – calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor(INPC) do período de 12 meses, que ainda não fechou.

 Na rodada desta quinta (17), as empresas propuseram somente 5% de reajuste nos benefícios, ou seja, apenas no vale-alimentação, seguro de vida e na multa por descumprimento de cláusulas e, novamente, as entidades consideraram a proposta insatisfatória.

 A FENTAC e os Sindicatos reivindicam a reposição integral da inflação da data-base e mais 5% de aumento real nos salários e demais benefícios econômicos. “Lamentavelmente, as empresas vieram com uma posição bastante conservadora, não avançando em nenhum ponto. Não conseguimos sentir boa vontade das empresas”, atesta Dias.

Empresas têm condições de avançar

 Para contrapor o cenário de crise que está enraizado no discurso das empresas, o técnico do Dieese na FENTAC, Mahatma Ramos, fez uma exposição na rodada, na qual reforça a necessidade de construir-se um espaço para acordo e avanço nas negociações. “Cerca de 82% das receitas do setor são oriundas da venda de passagens, portanto, do resultado operacional e riqueza produzida cotidianamente pelos trabalhadores. Apesar do crescimento nos custos das aéreas de 3,5% no último ano, as receitas registraram expansão de 7,5%. O resultado operacional é fundamental para o resultado financeiro da empresa, portanto, deve-se valorizar a força de trabalho”, salienta.

 Mahatma ainda apontou que o maior custo das empresas é com combustíveis e lubrificantes  de aeronave, cerca de 30%, seguido pelos custos com seguro, arrendamento e manutenção de aeronaves (21%); e só depois aparecem os custos com pessoal que representavam, em 2015, cerca de 15% no setor.

  “A força de trabalho é sempre objeto flexibilização e redução de custos. Apenas nos nove primeiros meses de 2016 foram extintos 4.853 postos de trabalho na aviação civil, mais de 5% do total de empregos no setor. Em 2015, encerraram-se 2.791 postos e nos últimos quatro anos registrou-se um saldo negativo de mais quase 7 mil postos de trabalho”, ressalta.

 O técnico explicou também que o volume de passageiros incorporados na aviação nos últimos 10 anos foi de 63 milhões, crescimento de 133% na demanda por serviços de transporte de aviação.

 No entanto, nos últimos dez anos a remuneração registrou crescimento 13 vezes menor, apenas 9,3%. E nos últimos cinco anos, a força de trabalho obteve ganho real de apenas 1%, reforçando a política de achatamento dos salários no setor.

Próxima rodada

A próxima rodada de negociação entre a FENTAC e o SNEA será realizada na próxima quinta-feira (24), às 11h, na sede do sindicato patronal, em São Paulo.

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