Trabalhadores na aviação civil vão aderir à Greve Geral nesta sexta (28)

    Na quinta (26), os aeronautas vão deliberar sobre as emendas conquistadas na Reforma Trabalhista

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    A adesão à Greve Geral convocada pelas principais centrais sindicais do Brasil contra as reformas da Previdência, Trabalhista e a Lei da Terceirização irrestrita – propostas pelo governo federal e pelo Congresso Nacional que são prejudiciais aos direitos da classe trabalhadora – cresce nas bases da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC).

    Na segunda-feira (24), os aeroviários no Aeroporto Internacional de São Paulo (GRU Airport) (funcionários nas empresas aéreas que atuam no check-in, auxiliar de serviços gerais, mecânicos de pista, despachante de voo entre outros cargos) aprovaram em assembleias realizadas nos turnos que vão aderir à Greve Geral e iniciarão a paralisação no Aeroporto a partir das 6h00 da manhã.

    Os aeroviários em Pernambuco também aprovaram esse encaminhamento no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre. Tanto em Recife como no GRU serão mantidos 30% de atendimento, acatando a Lei de Greve que garante esse direito constitucional ao trabalhador.

    Outra categoria importante filiada à FENTAC que fará parte dessa luta unificada é o Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), que representa os trabalhadores em solo em mais de 22 aeroportos no país. Em nota, o SNA informa que dirigentes sindicais organizarão paralisações nos Aeroportos de suas bases, com início no turno da manhã, sem horário previsto para término. 

    Para o presidente da FENTAC, Sergio Dias, as categorias estão mobilizados em defesa de seus direitos. "É importante a unidade dos trabalhadores da aviação civil nesta greve geral do dia 28 de abril. Direitos históricos, que foram conquistados arduamente, estão ameaçados caso essas reformas sejam implementadas", alerta Dias.

    Aeroportuários
    O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) que representa os trabalhadores nas empresas que administram os Aeroportos (Infraero e Concessionárias privadas) também convocou a categoria a aderir ao movimento e orientou que cada aeroportuário converse com sua família para que fique em casa em protesto às reformas, que na realidade são um verdadeiro desmonte aos direitos da classe trabalhadora brasileira.

    Em Recife (PE), os aeroportuários aprovaram em assembleia realizada na tarde de terça-feira (25) adesão ao movimento.

    "Especialmente na categoria aeroportuária estão querendo tirar ainda mais. Sangue já tiraram. Suor já levaram. Agora, estão querendo tirar a alma do aeroportuário", frisa o presidente Francisco Lemos, em vídeo divulgado nas redes sociais.
     
    Aeroporto Internacional Salgado Filho
    Os aeroviários de Porto Alegre que trabalham no Aeroporto Salgado Filho aprovaram adesão à Greve Geral. A categoria inicia paralisação às 5h da manhã. 

    Pilotos e comissários 

    Uma nova assembleia decisiva acontecerá nesta quinta-feira (27), a partir das 16h, para deliberar sobre a Reforma Trabalhista e a adesão ou não ao movimento grevista de sexta-feira (28). Na segunda-feira (24), os aeronautas aprovaram na suas bases em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre  “estado de greve” nos aeroportos contra a Reforma Trabalhista. 

    Em nota, o Sindicato Nacional dos Aeronautas informa que após árdua negociação, o o relator da Reforma Trabalhista na comissão especial que analisou o projeto, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), incluiu duas emendas em seu relatório final que protegem a categoria de retrocessos que representariam uma precarização da profissão.

    Segundo o novo parecer, não será permitida a contratação por meio de contrato de trabalho intermitente de aeronautas. "Desta forma, não haveria a possibilidade de pilotos e comissários serem convocados para trabalhar de forma esporádica e recebendo apenas por trabalho realizado ―o que afetaria inclusive a segurança de voo, já que estes profissionais necessitam do exercício regular da profissão para manter a proficiência", diz a nota.

    O parecer  também acatou emenda que exclui a possibilidade de demissão por justa causa dos aeronautas que eventualmente perderem licenças, habilitações ou certificados para o exercício da profissão, outra reivindicação do SNA.