Latam terceiriza setores vitais para segurança

Para a FENTAC, terceirização de setores traz insegurança operacional e de voo

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Mais duas bases tiveram seus setores terceirizados pela Latam. Agora, Porto Alegre e Recife, seguindo os passos do que aconteceu anteriormente em Guarulhos, também possuem trabalhadores terceirizados trabalhando em funções antes ocupadas por aeroviários da empresa.

Em Porto Alegre, os setores de Rampa, GSE e Limpeza tiveram ao todo 75 trabalhadores demitidos, já em Recife, 47 trabalhadores da Rampa perderam seus empregos.

Com as demissões, a Latam passará a contar com terceirizados nessas funções, e não poderá ter nessas vagas a recontratação dos aeroviários demitidos. Isso porque a Lei da Terceirização prevê um prazo de 18 meses em que esses trabalhadores não poderão ser recontratados.

Para a FENTAC, a medida da empresa é extremamente prejudicial para a qualidade do serviço, e algo ainda mais perigoso, prejudicial para a segurança de voo. Segundo relatos dos diretores da entidade, Guarulhos, que já possui esses setores terceirizados, registrou tanto acidentes patrimoniais quanto acidentes de trabalho.

Para a direção, a troca de trabalhadores experientes e capacitados por terceirizados com menor qualificação resulta em um risco para toda comunidade aeroportuária, tanto para os próprios trabalhadores quanto para os passageiros. Isso é considerado pela entidade como um grave erro da empresa.

A FENTAC entende que não é possível impedir que a Latam faça esse tipo de terceirização, mas entende que pode conscientizar o público sobre o impacto dessas mudanças. “Como sabemos, na aviação os acidentes costumam ser fruto de uma sequência de erros, e essa terceirização pode ser um agente causador de erro”, afirma a direção da Federação.

Além disso, a entidade lamenta profundamente a perda dos empregos, principalmente pela impossibilidade da recontratação dada a Lei da Terceirização. A direção da FENTAC pontua que “em resumo, essa decisão da Latam é negativa sob muitos aspectos, e mesmo o resultado momentaneamente positivo para o bolso da empresa pode ser revertido por futuros acidentes”.