Editorial: Dia do Aeroviário marca novos tempos para a categoria

Em retomada da aviação, reflexão sobre valorização dos trabalhadores precisa acontecer

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Uma constante automação dos serviços, o uso de aplicativos para quase tudo e também um avanço da terceirização das funções: são muitas as ameaças que batem na porta da classe trabalhadora.

Para os aeroviários, esses sintomas dos nossos tempos podem ser sentidos em áreas específicas. Os trabalhadores do check-in, por exemplo, representam um campo dos mais afetados pela pressa das empresas em automatizar os serviços.

Seja pelos totens de autoatendimento ou pelo uso de aplicativos, cada vez mais o trabalho do aeroviário que ocupa essa posição vai se modificando. Se antes eram responsáveis por todo atendimento, hoje trabalham não só em suas antigas funções, mas resolvendo erros e cobrindo as falhas desses serviços digitais.

Para a FENTAC, isso faz parte de uma falta de perspectiva das empresas aéreas e pela subvalorização desses aeroviários, capacitados e experientes em atendimento. “Ao invés de valorizar os trabalhadores e colocá-los como ponto forte do seu serviço, as empresas estão fazendo o contrário, terceirizando esses setores e diminuindo seus padrões”, afirma a FENTAC.

Isso tudo numa época branda da pandemia, onde a retomada do setor aéreo está acontecendo. Segundo dados na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o mês de março de 2022 registrou o dobro de passageiros transportados no mesmo mês de 2021. Isso tudo com uma alta de 21% no preço das passagens, também segundo a ANAC.

Além disso tudo, ainda temos o esforço das empresas em terceirizar outras funções e em retirar o mecânico de pista. Ou seja, enquanto retomam seus ganhos, diminuem sua qualidade e penalizam o trabalhador.

Neste Dia do Aeroviário, a FENTAC vem parabenizar essa categoria por representar uma tradição de excelência, por suas lutas históricas e pela sua parceria com as outras categorias da aviação civil.

Para a entidade, esses esforços das aéreas em minimizar o trabalhador, demitindo e terceirizando, serão rechaçados. “Nós estamos juntos com os aeroviários, e sempre seremos resistência. Unidos, vamos perseverar”, finaliza a direção da entidade.