Paralisação nacional dos tripulantes e aeroviários foi um sucesso

    Em um universo de 3.060 voos em todos o País, cerca de 200 tenham sido afetados com a paralisação, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas

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    Terminou às 8h desta quarta (3), conforme estabelecido, a Paralisação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários da base da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC). O movimento grevista teve início às 6h nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Santos Dumont, Galeão, Viracopos, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza.

    A partir das 9h30 da manhã desta quarta, as categorias farão assembleias para avaliar se a greve continua ou não na quinta-feira (4).

    O movimento grevista foi organizado pelos sindicatos filiados dos Aeroviários de Guarulhos, Porto Alegre, Campinas, Recife, do Sindicato Nacional dos Aeroviários e pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas.  

    Até o momento, as empresas aéreas não se manifestaram sobre uma nova proposta de reajuste. As categorias reivindicam a aplicação do reajuste de 11% nos salários e benefícios retroativo à data-base, que fará a recomposição das perdas inflacionárias nos salários.  

    A paralisação aconteceu em razão que o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), que representa as companhias TAM, Gol, Azul e Avianca, não apresentou nova proposta de reajuste salarial para os trabalhadores.

    As categorias rejeitaram por ampla maioria em assembleias realizadas na sexta-feira (29) propostas das empresas aéreas que previam pagamentos parcelados por faixas salariais, não retroativos à data-base, 1º de dezembro.  

    Movimento histórico

    Nos 12 principais aeroportos do País, as categorias cruzaram os braços em peso contra a proposta indecente das aéreas.  Em Congonhas, os aeronautas deram um exemplo de unidade e pararam todo o fluxo do aeroporto.

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    Greve no aeroporto de Congonhas – Foto:Divulgação

     

    No GRU Airport,  maior terminal da América Latina, os trabalhadores se uniram e lotaram a entrada do embarque doméstico no Terminal de Passageiros 2 (TPS2). “Esse é um momento histórico em que reúne duas importantes categorias da aviação. Que ninguém ouse duvidar da capacidade de luta dos trabalhadores”, avaliou o secretário de finanças da FENTAC e dirigente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru/CUT), Orisson Melo.

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    Greve no GRU Airport  – Foto: Nayara Striani/Mídia Consulte

     

    Para o presidente da FENTAC/CUT, Sergio Dias, que participou da paralisação no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, a adesão em massa reflete a insatisfação das categorias. “Os trabalhadores na aviação civil estão de parabéns pelo movimento paredista, que mostrou que a unidade na luta é fundamental e reforçou para as empresas que os profissionais merecem ser valorizados", destaca Dias.

    Durante a paralisação, os aeronautas em todos os aeroportos fizeram um importante alerta à sociedade sobre a fadiga e o estresse, que atinge os trabalhadores por conta da Lei do Aeronauta, que há mais de 30 anos não é atualizada.

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    “Os pilotos estão sofrendo com essa falta de manutenção. Isso coloca em risco a vida dos passageiros”, reforça o comandante na Gol e dirigente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Rodrigo Ribeiro.

    Ele também fez uma denúncia de que não estão feitas vistorias nas bagagens e isso coloca em risco a segurança de voo dos passageiros, principalmente em um momento que o Brasil sediará os jogos olímpicos.

    O presidente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos, Rodrigo Maciel, disse que o movimento crescerá caso às empresas aéreas não avancem na proposta de reajuste.  “Não vamos deixar as empresas tomarem o que nos pertence a nós. Nós estamos pedindo o que é nosso e não vamos desistir, nem que nos tenhamos que parar todos os dias todos os aeroportos desse país. Hoje eles querem tomar 11% dos nossos salários, amanhã eles querem tomar muito mais e nós aeronautas e aeroviários vamos dizer que não e vamos lutar pelo que é nosso”, alerta Maciel.

    Impacto da greve

    Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), a estimativa  é de que, em um universo de 3.060 voos em todos o país, cerca de 200 tenham sido afetados com a paralisação. Ou seja, menos de 10% do total de voos. "O nosso movimento cumpriu as determinações exigidas e chamamos a atenção para essa desvalorização da nossa profissão”, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Adriano Castanho.

    “Lamentamos ter que fazer uma greve apenas para conseguir a reposição da inflação e ressaltamos nossa preocupação com os passageiros e com a sociedade. Por isso mesmo, a paralisação foi parcial”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Rodrigo Spader.