Em Plenária dos Transportes, CNTTL reafirma que fará o enfrentamento contra a Reforma da Previdência

    Presidente da Confederação, Paulinho, alerta às bases que entrem em estado de greve permanente

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    Com o lema: “Se botar pra votar, o Brasil vai parar” foi realizada nesta segunda-feira (11), a Plenária dos Trabalhadores do ramo de Transportes, que deliberou sobre a Greve Geral contra a Reforma da Previdência, proposta pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (PMDB). O evento aconteceu na sede do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Urbano de São Paulo, na região central da capital paulista.

    A plenária contou com a participação de dirigentes de diversos sindicatos dos transportes do estado de São Paulo de todas as centrais. Representando o ramo dos transportes cutista, a CNTTL reafirmou o posicionamento da CUT de que se o governo colocar o projeto para votar, o Brasil vai parar! “Nossas futuras gerações vão nos cobrar, caso a gente não faça nada para barrar esse retrocesso. Temos uma sociedade manipulada pela mídia e para conseguir parar a grande massa só o transporte. Não basta parar rodoviário, nós temos que afinar a viola para poder unificar todos os setores e fazer uma grande paralisação”,  afirmou o presidente da Confederação, Paulo João Eustasia, o Paulinho.

    O Secretário de Organização da CNTTL, de Saúde da CUT/SP e diretor dos Condutores de Guarulhos, Wagner Menezes, o Marrom, reforçou  que o ramo dos transportes cutista vai contribuir para essa importante agenda de luta e resistência da classe trabalhadora. “Temos a consciência que nosso setor tem grande força para parar e mais uma vez fazer história”, frisa.

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    O Secretário de Organização da CNTTL, Wagner Marrom (Foto: Roberto Parizotti) 

    Garantir o futuro  das próximas gerações

    Para o  presidente do Sindicato dos Rodoviários do ABC,  Francisco Mendes da Silva, o Chicão, chegou a hora da classe trabalhadora dar uma resposta forte ao governo golpista. “Temer tem comprado todos os dias deputados e senadores a seu favor com nosso dinheiro. Nós estamos muito “carneirinhos” aceitando esse tipo de situação. Temos a obrigação de deixar o futuro melhor para os nossos filhos e netos. Não vamos abaixar a cabeça para um golpista que não conseguiu ganhar nem para deputado federal. Se mantermos a unidade vamos fazer uma grande paralisação e derrubar esse retrocesso”, salienta.

    Já o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, enfatizou que a reforma da previdência é mais um golpe para desmontar o sistema. “´É extremamente grave o que estamos passando no país. O governo ilegítimo está impondo uma série de retrocessos. Essa é uma luta da classe trabalhadora brasileira e a unidade das centrais e das categorias será fundamental”, frisa. 

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    Secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre (Foto: Roberto Parizotti)

    Estado de greve permanente

    A Plenária aprovou o estado de greve permanente e uma carta aberta à população explicando sobre o motivo da paralisação e alertando sobre mais esse ataque de Temer.

    Paulinho ressaltou também que todos os sindicatos filiados à CNTTL estarão em alerta para paralisação e que vai orientar as bases para apresentar às empresas suas notificações de greve. “Vamos todos ficar em exercício de guerra, preparados para fazer o enfrentamento”, finaliza.

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    Aprovação dos encaminhamentos da Plenária (Foto: Roberto Parizotti)

    Ato em frente ao INSS

    Nesta quarta-feira (13), trabalhadores e trabalhadoras estarão em frente à sede do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em protesto contra a reforma da Previdência. O ato, organizado pela CUT-SP, terá concentração às 11h, no Viaduto Santa Ifigênia, em São Paulo. Em seguida, haverá uma caminhada pelas ruas do centro.

    Plenária das centrais sindicais

    Já na quinta-feira (14), a CUT  e as demais centrais sindicais vão realizar uma plenária para fortalecer a contraofensiva à Reforma da Previdência, que acabará com direito à aposentadoria de milhões de brasileiros. O evento será realizado às 10h, na sede da CUT, na capital paulista.

    O objetivo é manter a pressão no governo para que a votação da Reforma da Previdência seja retirada da pauta definitivamente. Mas o recado é claro, caso o projeto entre em votação o país vai parar.

    Para passar na Câmara dos Deputados, são necessários 308 votos, número ainda não alcançado nas contas do próprio governo. Entretanto, para pressionar os deputados, Temer negocia cargos em ministérios, aprovação de projetos e verbas parlamentares.

    Sobre a Reforma da Previdência golpista

    As mudanças propostas por Temer na Previdência brasileira vão prejudicar especialmente os trabalhadores e as trabalhadoras mais pobres, como os rurais assalariados e os agricultores familiares, o pessoal da construção civil e serviços, entre outros, que vão sofrer mais porque são vítimas da alta rotatividade e do contrato intermitente de trabalho, aprovado na Reforma Trabalhista que entrou em vigor no último dia 11.

    A nova proposta de Reforma da Previdência prevê que as idades mínimas para aposentadoria serão de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens da iniciativa privada, servidores e assalariados rurais. A exceção são os professores e as professoras que poderão se aposentar aos 60 anos – idade vale para ambos os sexos; e os policiais (55 anos também para ambos os sexos).

    O tempo mínimo de contribuição previsto no texto é de 15 anos para os trabalhadores do regime geral (INSS) e 25 anos para os servidores públicos. 

    O trabalhador da iniciativa privada que contribuir durante 15 anos terá direito a 60% do valor do benefício, que é a média da soma de todos os salários, desde o primeiro, em geral mais baixo. Se estiver vivo e contribuir durante 25 anos, receberá somente 65% do valor do benefício.

    No caso dos servidores públicos, eles receberão 70% do benefício se contribuírem por 25 anos. Quem contribuir por 30 anos receberá 77,5% do benefício. Nos dois regimes, os trabalhadores que quiserem receber 100% do benefício terão de contribuir por 40 anos. Além disso, terão de ter a idade mínima 65 anos (homens) e 62 (mulheres).

    No caso dos trabalhadores rurais, a proposta é ainda mais cruel. A nova reforma Previdenciária iguala as regras dos trabalhadores assalariados rurais aos urbanos e ainda exige dos agricultores familiares (pequenos produtores) uma contribuição mensal e individual, o que praticamente acaba com o sistema de proteção diferenciado dos rurais.