Táxi Aéreo: Aeroviários e Aeronautas rejeitam reajuste do SNETA e anunciam greve em novembro

    Categorias aprovaram encaminhamento após assembleias e consultas realizadas nas bases na semana passada

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    Os aeroviários e aeronautas da base da FENTAC/CUT no setor de táxi aéreo preparam paralisação nacional no dia 9 de novembro. A decisão foi aprovada em assembleias e consultas às bases  realizadas pelos sindicatos de base nacional na semana passada.

    Os trabalhadores rejeitaram a proposta de reajuste salarial de 4,5% do Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo (SNETA) nos salários e pisos, bem abaixo da inflação da data-base de 2015 que fechou em 11%, bem como  de 9,5% para as demais cláusulas econômicas. 

    O descaso das empresas de táxi de aéreo com os profissionais passou dos limites. Passados quase 10 meses, os aeroviários e aeronautas não receberam até agora nenhum reajuste salarial, tampouco melhoria nos seus direitos sociais da data-base de 1º de dezembro de 2015.

    O presidente Sergio Dias rechaçou a proposta patronal, classificando-a como “uma aberração, um escárnio” e destacou que o caminho agora é a forte mobilização nas bases para a construção da greve. 

    “A reivindicação dos trabalhadores refere-se aos 12 meses da data-base de 2015. Além dos mais, as empresas já fizeram as demissões, já reestruturaram o setor e ainda teimam em não repassar o reajuste para os salários. As categorias já flexibilizaram a proposta de reajuste para 10%, que é um  patamar mínimo”, critica Dias.

    Rotatividade
    O assessor econômico e técnico do Dieese na Subseção na FENTAC, Mahatma Ramos, fez uma apresentação na última  audiência no Tribunal Superior  do Trabalho (TST), realizada em setembro, e  falou que o setor do táxi aéreo acabou nos últimos 31 meses com 1.109 postos de trabalho, o que equivale a 14% do total de trabalhadores empregados na aviação, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2014. 

    “Importante reforçar que as empresas além do expediente da demissão e do achatamento dos salários usam o expediente da rotatividade. Em 2015, 72% dos postos extintos ganhavam até cinco salários mínimos e 39% deles ganhavam até dois”, conta.

    Ramos explica que com relação às admissões, 55% ganhavam até dois salários mínimos, ou seja, as empresas demitem quem ganha salários maiores salários e contratam com salários menores. “Essa proposta de 4,5% significa um rebaixamento dos salários dos trabalhadores ao nível do poder de compra de 2004”, finaliza.