“A crise não atingiu a aviação. Vamos lutar para melhorar e ampliar os direitos para os aeroviários e aeronautas”, frisa Sergio Dias

    Dirigentes realizaram Seminário de Planejamento que definiu a organização da Campanha Salarial deste ano

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    Dirigentes dos sindicatos dos aeronautas e aeroviários filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC) iniciaram a organização da Campanha Salarial 2015/2016 das categorias durante Seminário de Planejamento da entidade,  realizado nos dias 14 e 15 de agosto, em Porto Alegre (RS).

    A data-base das categorias é 1º de dezembro e estarão em Campanha cerca de 70 mil trabalhadores em todo o Brasil. Durante a atividade, os sindicalistas debateram os eixos e estratégias da Campanha, o calendário de assembleias nas bases e a entrega das pautas de reivindicações para o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA). Também foi discutida a conjuntura  política e econômica do País.

    Crise não atinge aviação
    Nos debates, os sindicalistas concluíram que a crise econômica que assola o País não teve impacto no setor da aviação.  “A crise política é real, no entanto, a econômica no caso do nosso setor, não atingiu da forma como as empresas alegam o tempo todo. Houve crescimento na demanda, maior aproveitamento das aeronaves e os trabalhadores passaram a produzir mais. A crise econômica não será a desculpa para as empresas aéreas não avançarem nos reajustes e direitos que os aeronautas e aeroviários realmente merecem”, avalia o presidente da FENTAC/CUT, o aeronauta, comissário de voo na Gol, Sergio Dias.
     

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    foto: Denise Veiga do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre

    Aviação registra bons resultados

    Segundo diagnóstico apresentado durante o Seminário da FENTAC pelo técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Federação e sociólogo, Mahatma Ramos, o setor aéreo teve bons resultados.  De 2011 a 2014, o Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) teve um crescimento de 2,1%, sendo que em 2014 a aviação civil brasileira apresentou crescimento de 5,61%.  Em relação aos voos, a demanda internacional teve aumento de 49,6%. Já a doméstica apresentou crescimento de 88,2%, o que representa  aumento de 77,4%.

    Enquanto o modal rodoviário registrou 37,05% de passageiros em 2014, o aéreo teve 62,95%. “ O avião foi o meio mais utilizado na Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil. Os números comprovam que o cenário de crise no País, para o setor da aviação, não apresentou impacto”, destaca Ramos.

    Assembleias, Entrega de pautas e  Lançamento

    Os dirigentes aprovaram no Seminário os seguintes encaminhamentos:  nos próximos dias os sindicatos filiados farão as assembleias nas bases para apresentar aos trabalhadores as reivindicações da Campanha deste ano, que neste ano, além das cláusulas econômicas (reajuste salarial, pisos), também serão debatidas melhorias e ampliação nos direitos sociais.

    A entrega das pautas para o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) e o Lançamento da Campanha deverão acontecer na segunda quinzena de setembro. “É fundamental o empenho de todos os trabalhadores na aviação para que possamos obter avanços nas conquistas nesta Campanha Salarial”, frisa Dias.

    Expectativas das principais Lideranças da aviação

    “Dos setores econômicos afetados pela crise, dados reforçam que a aviação não foi atingida e continua crescendo, produzindo muito mais com menos trabalhadores. As companhias aéreas estão a todo vapor e nós vamos lutar pelo o que é nosso por direito”, Orisson Melo, presidente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos.

    “Vai ser uma campanha árdua e  vamos brigar muito pela reposição da inflação com  aumento real nos salários e por mais direitos sociais para os trabalhadores. Queremos que as empresas concedam um reajuste digno para os aeronautas e aeroviários”, Diogo Almeida, dirigente do Sindicato dos Aeroviários de Campinas.

    "O êxito da campanha salarial está diretamente ligado à participação ativa da categoria. O momento é de união para buscarmos melhorias para todos", Rodrigo Spader, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

    “Nossas campanhas salariais nunca foram fáceis e esta não será a primeira. Faremos uma Campanha forte, pra cima, como foi a do ano passado, e lutaremos para celebrar uma Convenção Coletiva de Trabalho que traga muitos avanços para todos os trabalhadores da aviação”, Erivaldo Pereira Dutra, diretor do Sindicato dos Aeroviários de Pernambuco.

    “Vai ser uma campanha difícil porque só se fala em crise. Tivemos o encaminhamento do Dieese que foi muito claro sinalizando que a crise não atingiu o nosso setor de serviços. Vamos lutar por mais avanços”, Luiz da Rocha Cardoso Pará, presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA).

    "Renovamos nossas forças em busca de melhores condições de trabalho e aumento real dos salários. Os patrões precisam enxergar que o bem estar do trabalhador é sinônimo de produtividade. Temos um grande desafio pela frente, a de fazer com que as empresas contratem terceirizadas que respeitem os direitos dos trabalhadores .Contratar empresas terceiras que descumprem a CCT e escravizam seus trabalhadores é literalmente dar um tiro no pé", afirma Luiz Pedro, presidente do Sindicato dos Aeroviários de Recife.

    “A expectativa é que a gente consiga fazer uma campanha tão boa quanto a do ano passado, na qual houve um momento histórico: a paralisação dos aeronautas e aeroviários, ocorrida em 22 de janeiro deste ano. Algo que não se via há muito tempo no setor. A criatividade dos sindicatos e a unidade dos trabalhadores serão fundamentais pra gente avançar”, Leonel Montezana, recém-eleito presidente do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre.

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    foto: Denise Veiga do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre

    Base em Campanha na FENTAC/CUT

    A data-base das categorias é 1º de dezembro e estarão em Campanha cerca 70 mil trabalhadores em aviação civil: aeroviários (que trabalham no check-in, auxiliar de serviços gerais, mecânicos de aeronaves, agente de proteção, operador de equipamento entre outros), aeronautas (pilotos, co-pilotos, mecânicos e engenheiros de voo e comissários de voo)  e aeronautas e aeroviários  do setor de táxi aéreo.

    Os trabalhadores são representados pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas, pelos Sindicatos regionais dos Aeroviários de Guarulhos, Porto Alegre, Campinas, Recife  e pelo Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA/CUT).

    Vanessa Barboza e Viviane Barbosa,  da Redação da FENTAC/CUT