Sergio Dias: “A aviação era um transporte elitizado e hoje está virando um transporte de massa”

Em entrevista à TVT, o presidente da FENTAC fala sobre a situação dos trabalhadores da aviação

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O setor de transporte aéreo continua em alta no Brasil. Só no primeiro semestre deste ano, foram mais de 100 milhões de embarques, o que representa um crescimento de 3,36%, segundo levantamento da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC). 

Em matéria veiculada na TV dos Trabalhadores (TVT) na sexta-feira (21), o professor de Economia na Faculdade Anhembi Morumbi, Volney Gouveia, explica que a aviação civil é beneficiada pelo setor de serviços que permanece aquecido, gerando emprego e renda, e pela queda do custo do combustível que representa metade das despesas das empresas aéreas.

“Como o setor de serviços representa 70% do PIB, de tudo aquilo que o país produz anualmente e 70% do tráfego de passageiros é de negócios, então quem voa hoje é essencialmente os profissionais da área de serviço”, afirma o professor.

Sem avanços para os trabalhadores na aviação

Para a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (FENTAC) há um lado negativo nesse crescimento das companhias aéreas, pois não houve novas contratações no setor e os trabalhadores passaram a acumular funções sem aumentos de salário.

O presidente da FENTAC, Sergio Dias, explica que o grande problema é que o número de demissões quase se iguala ao número de admissões, ou seja, o setor não apresenta crescimento na mão de obra. “O trabalhador produz, mas não com a necessária contrapartida de remuneração”, frisa Dias.

“Pela política de governo adotada nestes últimos 10 anos, o número de passageiros transportados aumentou absurdamente, antes a aviação era um transporte elitizado e hoje pode quase se considerar um transporte de massa”, completa.

Atualmente, cerca de 90% do tráfego aéreo é concentrado em 20 aeroportos. O Brasil tem mais de cinco mil municípios e a aviação comercial só chega a 140.

“O transporte aéreo e o rodoviário operam sob concessão pública e, portanto, o aeroporto, como a rodoviária, devem ser utilizados de forma maciça” finaliza Gouveia.

 

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Vanessa Barboza, da Redação FENTAC, com colaboração Bruna Martuchi