80% dos mecânicos na Latam da América do Sul reconhecem aumento de incidentes nas operações da companhia

Estudo é da Rede Sindical Latam/ITF. Sindicatos de trabalhadores aguardam reunião urgente com o presidente da companhia, Enrique Cueto

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Uma pesquisa inédita feita pela Rede Sindical Latam (Fusão da chilena LAN com a brasileira TAM) em parceria com a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) revela que a precarização da mão de obra coloca em risco à  segurança de voo das aeronaves e, consequentemente, a dos passageiros que voam pela companhia.

O estudo divulgado na segunda-feira (8) ouviu 189 mecânicos de aeronaves da empresa do Peru, Brasil, Paraguai e Colômbia. Os dados foram coletados  pelos sindicatos de mecânicos aeronáuticos latino-americanos e aeroviários brasileiros que integram a Rede Sindical Latam Network.

O levantamento mostra que, nos últimos três anos, 80% dos trabalhadores de manutenção da Latam observaram  um maior número de incidentes ou problemas com a aeronave devido a cortes no orçamento da empresa, destaca a pesquisa.

A Latam tem feito mudanças nos procedimentos de manutenção que impactam na segurança dos voos, citando a redução da mão de obra e a substituição de especialistas por pessoal menos qualificado. 

Olimpíadas

Segundo a Rede Latam/ITF, essa situação se torna mais grave  já que a Latam está operando em plena capacidade durante os Jogos Olímpicos do Rio 2016, com mais de 300 voos adicionais. “Em 12 meses, 996 trabalhadores na área de manutenção de aeronaves, ou seja, 14,25% foram demitidos”, destaca a pesquisa.

Outro ponto alarmante é que a Latam, com o objetivo de economizar dinheiro, começou  a fornecer combustível para aeronaves com passageiros a bordo, sem a presença de um profissional para realizar a operação.

Para 86% dos trabalhadores esta prática aumenta seriamente o risco de acidentes para tripulação e passageiros.  “A falta de técnicos licenciados e com experiência suficiente foi outro problema apontado pelos mecânicos. 26% disseram que nos últimos três anos são frequentes atrasos e cancelamentos de voos devido à falta de técnicos licenciados e experiência”, relata.

O estudo também revela que 66% disseram que sofreram pressão para terminar de forma rápida o trabalho da manutenção.

81% apontam os planos MAR e Simplicity como responsáveis pela precarização

De acordo com a Rede Sindical Latam/ITF, a empresa aérea tem desenvolvido projetos que visam precarizar as relações de trabalho. Um deles é o MAR , que visa eliminar a inspeção do mecânico quando o avião esta em trânsito, sendo substituído por um funcionário sem a devida licença para realizar a função.

O outro é o Simplicity que pretende diminuir os postos de trabalho, simplificando a atividade do mecânico. Dentro destes programas  há também um  chamado "Remote Office", que envolve despachar um avião sem ter um profissional presente no local do local de voo.

Para 81% dos trabalhadores, os programas podem afetar a segurança dos passageiros e tripulantes. “Os procedimentos de manutenção de aeronaves são regulados pelas autoridades aeronáuticas de cada país, mas 58% dos especialistas afirmam ter aumentado o número de técnicos licenciados são substituídos por EOP (responsável pela plataforma”, frisa techo da pesquisa.

Reunião com Enrique Cueto

Os mecânicos do Peru, Brasil, Paraguai e Colômbia enviaram carta ao presidente da companhia, Enrique Cueto, alertando sobre os problemas na aérea de manutenção e solicitaram uma reunião urgente. Até o momento, a empresa não respondeu à solicitação.

A Rede Sindical Latam/ITF representa 23 mil trabalhadores mecânicos de aeronaves em sete países.