Comissão da Aviação e Transporte debate abertura de capital nas empresas aéreas brasileiras nesta quarta-feira (14)

Presidente da FENTAC/CUT, Sérgio Dias, não concorda com essa medida, alertando que é nefasta para os trabalhadores

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A Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados volta a debater nesta quarta-feira (14) o polêmico tema da “abertura total e irrestrita que permite que as companhias aéreas brasileiras sejam 100% controladas por estrangeiros”.

Na ocasião, a presidente da Comissão, a deputada federal, Clarissa Garotinho (PR),  quer explicações das lideranças da aviação civil sobre implantação no Brasil dessa medida.  A FENTAC/CUT e o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) já se posicionaram contrários, ressaltando que, caso entre em vigor no Brasil, será prejudicial ao mercado nacional e aos trabalhadores na aviação.

Na opinião do presidente do SNA, comandante Adriano Castanho, nada justifica entregar o  mercado da aviação a estrangeiros.  “ O mercado 100% aberto ao capital estrangeiro tende ao monopólio, causado pela concorrência predatória entre as gigantes do exterior e as empresas domésticas, que acabam sendo compradas pelas mais fortes ou indo à falência”, explica.

Sergio Dias, aeronauta na Gol e presidente da FENTAC, concorda e acrescenta que a abertura irrestrita, sem nenhum tipo de contrapartida social, é totalmente prejudicial.
“Esse tipo de abertura, da forma como está se propondo, fará com que as empresas internacionais se instalem aqui sem nenhum compromisso com a estratégia do setor”, alerta.

No mundo
Os maiores mercados do mundo mantêm controle sobre sua aviação. Nos Estados Unidos, por exemplo, o limite para participação de capital estrangeiro nas companhias locais é de 25%.
Nos países da União Europeia, esse índice é de 49%. O Brasil, que hoje possui o quarto maior mercado mundial de aviação, tem limite de 20%.

Castanho alerta que o governo federal não possui controle sobre empresas dominadas por capital estrangeiro.  “Se abrir 100% o capital, quem perde é a economia local e os usuários do transporte aéreo, porque a oferta de será voos limitada por interesses econômicos”, conclui.