Comissão Paritária Aeroviários: Aéreas mantêm intransigência e se recusam a definir piso e funções para o check-in

Não está agendado novo encontro. Apenas ficou definido, para o dia 29 de abril, reunião bimestral, no SNEA

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Mais uma vez, as empresas aéreas mantiveram posição intransigente na hora de definir um piso salarial justo e as atribuições ao trabalhador que atua no Check-in nos aeroportos.

Este sentimento foi comprovado em reunião, ocorrida nesta quinta-feira (9), da Comissão Paritária, proposta pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), da qual participaram a bancada patronal do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA) e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC/CUT). Esta é a terceira reunião e foi proposta pelo TST como um encaminhamento de reivindicações dos trabalhadores na Campanha Salarial 2014/2015, que foi fechada no começo deste ano.

Inócua
O dirigente da FENTAC e do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Nilton Oliveira Mota Santos, ficou frustrado com o discurso do presidente do SNEA, Odilon Junqueira, que deixou claro que as empresas não têm interesse em criar um novo piso, e pior, ainda propuseram mudar a nomenclatura do cargo de “Agente de Check-in” para “Atendente de Aeroporto” e pagariam o salário de quem atua na área de serviços gerais, hoje fixado em R$ 1.053,00.
  “Para nós essa proposta é inócua, porque já existe na nossa Convenção Coletiva de Trabalho, o piso para esses profissionais. Eles manifestaram um tom de ameaça, falando que se for aprovado o PL 4.330 da terceirização, as empresas poderão terceirizar”, frisa.

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Assessor jurídico da Federação, Ricardo Gentil, o sindicalista Nilton Mota e o técnico do Dieese na FENTAC, Mahatma Ramos

A FENTAC reivindica a criação de um piso para o trabalhador do Check-in no valor de R$ 1.400 e que seja caracterizada as suas funções. “É uma vergonha as empresas aéreas se recusarem a pagar a nossa proposta de piso. Quem trabalha nesta aérea desempenha funções importantes que asseguram a segurança no voo, como: a conferência da documentação, a checagem da bagagem dos clientes e, se fizer um procedimento errado, o trabalhador ainda é punido. Além disso, as empresas exigem que fale inglês/espanhol”, atesta Mota.

Hoje, segundo levantamento preliminar do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), os Agentes de Check-in recebem em média, depende da região, de R$ 990 (TAM-Navegantes) a R$ 1.735,00 (GOL-Guarulhos após dois anos na função).

A Azul, por exemplo, adota “um piso” de R$ 1.053 para todos os trabalhadores do Check-in  no País. “Cada vez mais as empresas estão desvalorizando a categoria aeroviária”, lamenta o dirigente.

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Bancada patronal do SNEA, ao centro, o presidente da entidade, Odilon Junqueira

Reunião bimestral
Não ficou definida uma nova data para dar continuidade aos debates da Comissão Paritária.
O SNEA propôs uma agenda para, o dia 29 de abril, às 10h, na sede da entidade patronal, para tratar da reunião bimestral, acertada em Convenção Coletiva de Trabalho.

Entenda mais:
Proposta da FENTAC ao SNEA

A FENTAC reivindica que as empresas aéreas caracterizem as atividades que compõem o processo laboral dos Agentes de Check-in, que hoje não têm piso definido, além de estabelecer os locais nos quais esta função pode ser desempenhada e seu valor mínimo.

Atribuições hoje do Agente de Check-in:

Realiza atendimento e orientação ao cliente;
Checa a documentação do passageiro;
Efetua perguntas de segurança;
Etiqueta, lacra e despacha as bagagens;
Emite cartão de embarque;
Realiza leitura de bilhetes;
Insere a documentação e informações do passageiro no sistema.

Local de Trabalho:
Saguão do Aeroporto e Balcão de Atendimento aos clientes.

Piso Salarial Reivindicado: R$ 1.400,00.  (O valor reivindicado é um piso mínimo cujo poder de compra visa garantir as necessidades e direitos vitais básicos do trabalhador e sua família).

*Informações de Mahatma Ramos, da Subseção do Dieese da FENTAC/CUT

Viviane Barbosa, da Redação da FENTAC