Sindicalistas da Rede Sindical LATAM-ITF debatem conjuntura e empoderamento da mulher

A importância da ação sindical permanente nas bases também foi debatida

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No primeiro dia do Encontro Internacional da Rede Sindical LATAM/ITF Network, que acontece no Brasil, ocorrido na terça-feira (16), o presidente da FENTAC-CUT, Sergio Dias, falou sobre a conjuntura nacional, o mercado da aviação e a política brasileira.

O evento termina nesta quarta-feira (17) e está sendo realizado no hotel Bristol Airport Internacional, em Guarulhos. Participam aeronautas, aeroviários e aeroportuários de países como Colômbia, Equador, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Brasil.  

Dias chamou atenção sobre os impactos das reformas do governo federal em curso no Brasil, citando, por exemplo, as reformas  trabalhista e previdenciária que, caso sejam aprovadas no Congresso Nacional, acarretarão prejuízos financeiros e trabalhistas para a classe trabalhadora. 

Outra medida prejudicial que agravará as relações de trabalho é a Lei da Terceirização Irrestrita, que permite a terceirização de  qualquer tipo de atividade de empresas privadas e do setor público.  “Fizemos uma pesquisa em parceria com o CESIT-Unicamp e constatamos graves violações aos direitos, como jornadas exaustivas de trabalho, salários e direitos menores dos trabalhadores terceirizados em comparação aos efetivos. Essa nova Lei vai aumentar ainda mais a precarização no trabalho”, alerta Dias.

Negociação coletiva, empoderamento e combate ao machismo 

Nos debates da parte da tarde, os sindicalistas latino-americanos e brasileiros ouviram a palestra da diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e de Comunicação da CUT/SP, Adriana Magalhães, que socializou a importância do empoderamento das mulheres, citando a conquista da aprovação da paridade de gêneros nas direções da CUT, que proporcionou o aumento da participação feminina nas direções dos sindicatos.  

Adriana também falou sobre a discriminação de gênero no mercado de trabalho brasileiro. “No setor financeiro, as mulheres exercem a mesma função que os homens, mas ganham 30% menos. Essa é uma média nacional. Já nos afazeres domésticos trabalhamos sete horas e os homens quatro horas. Existe uma diferenciação que o próprio capitalismo faz a respeito dos gêneros. É importante que os sindicatos se apropriem das pautas de políticas afirmativas para conversar com a base”.

A sindicalista também falou da conquista da cláusula social para os trabalhadores bancários, assegurada em Convenção Coletiva de Trabalho, que ampliou a licença-paternidade para 20 dias. “Outra conquista importante foi a campanha contra o assédio moral nos bancos, conquistada após uma década de lutas. O nosso sindicato virou um canal de denúncia. O assediador é encaminhado para cursos ou, em alguns casos, acontece seu desligamento. Hoje, nos bancos temos uma mesa permanente de negociação. É importante ter a ação sindical permanente”.

Mara Meiry, aeroportuária da Infraero no Aeroporto de Uberlândia e Secretária da Mulher na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística da CUT (CNTTL), acrescentou que as mulheres representam 51% da população brasileira. “Hoje temos apenas 8% de mulheres no Congresso. As mulheres não votam em mulheres. O machismo no Brasil tem que ser tratado primeiro com as mulheres”, concluiu.

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Mara – Foto: Dino Santos/Mídia Consulte

Mulheres na Aviação
Segundo dados da ITF, em fevereiro de 2017 , as mulheres no setor da aviação civil mundial somam o universo de 39%, já as que assumem cargos como dirigentes nos sindicatos são 14%.