Seminário Mulheres: Terceirização e as Reformas de Temer levarão o Brasil à escravidão, avaliam Cesit e CUT/SP 

Marilane e João Cayres falaram sobre os impactos para as mulheres da aviação e sociedade. Cleide, rodoviária do ABC paulista, falou que as sindicalistas empoderadas podem mais

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A recente Lei da Terceirização, aprovada por Temer, e os impactos das propostas de Reforma para as mulheres foram os temas debatidos durante o primeiro dia do Seminário Mulheres na Aviação da FENTAC/CUT. A atividade acontece no auditório do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru), em Guarulhos, grande São Paulo e termina nesta quinta (6).  

A mesa de debates foi mediada pelo secretário geral da CUT/SP, João Cayres e pela pesquisadora e economista do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Marilane Teixeira.

A economista disse que o período que estamos vivendo com o governo golpista de Temer  é complexo e a ação sindical será fundamental para barrar qualquer retrocesso. 

“Temer quer  implementar um conjunto de medidas econômica e de mudanças nas relações de trabalho que representam uma volta aos anos de 1980.  No período de 1990 a 2000, a ação sindical atuava na defensiva diante de uma conjuntura de retrocessos sociais e agora várias destas agendas que não foram implementadas voltam com força”, alerta. 

Marilane também pontuou que o conjunto de medidas do governo ilegítimo serviram pra atender um pequeno grupo, os rentistas e grandes empresários do país que fazem parte dos setores conservadores. 

“Eles questionam o governo Dilma e produziram artificialmente uma crise para gerar um sentimento de descontrole da economia. No fim, a população que está pagando o pato pelas medidas como a PEC dos gastos sociais, que congela os investimentos públicos como saúde educação e por 20 anos”, salienta.  

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Marilane ao microfone – foto: Dino Santos/Mídia Consulte 

Retrocesso para as mulheres

No contexto da crise, a economista mostrou dados que relevam que entre os desempregados a grande maioria é mulher e negra. “O desemprego tem sexo, cor e cara:  mulher, negra e pobre. 
Segundo os empresários, precisamos flexibilizar pra gerar empregos sob o argumento do negociado sobre o legislado, mas a na verdade isso é perder tudo que conquistamos nos últimos anos”, destaca. 

A economista pontuou que a terceirização terá um impacto muito maior sobre as mulheres. “Se a trabalhadora engravidar no contrato temporário será dispensada  e vida segue. Hoje apenas a contratada pelo regime CLT tem garantia de estabilidade na gravidez e volta ao trabalho depois da licença-maternidade”, alerta. 

A pesquisadora da Unicamp disse também que a terceirização pode criar uma indústria de doentes lesionados, em razão do trabalho temporário não ter direito a férias.  

Outros frutos da terceirização são a “zero hora”, que seria racionalizar a atividade econômica com o aumento da jornada de trabalho, redução do intervalo de almoço e a queda na remuneração. 

Reforma da Previdência 

Sobre a reforma da previdência, que prevê o aumento da contribuição de 15 anos para 25 anos, além de aumentar a idade mínima para o direito ao benefício para 65 anos e igualara para homens e mulheres, a Marilane destaca que as condições de igualdade não serão dadas para as mulheres, principalmente as mais pobres. 

“As desigualdades salariais não serão  reduzidas ao longo dos anos. Além disso, as mulheres gastam em média gastam 7 horas por semana com o trabalho doméstico. Com a reforma, elas vão trabalhar em torno de 5 anos a mais que os homens”, salienta. 

Reforma trabalhista

O secretário geral da CUT/SP, João Cayres, disse que a proposta dos golpistas de modernizar a CLT, com a reforma trabalhista, não passa de papo furado, é uma falsidade.

“Eles querem explorar ao máximo a mão de obra por um preço mínimo. É uma enganação dizer que o terceirizado tem condições de trabalho igual ao trabalhador na CLT”, pontua.

Cayres também enfatizou que a grande imprensa, que apoiou o golpe, é responsável por deturpar a situação do Brasil porque não mostra os reais perigos das reformas da Previdência e Trabalhista.
 “Você liga a tevê e assiste uma matéria que comemora a geração de 35 mil empregos, mas não fala que temos 14 milhões de desempregados no país, um dos maiores índices da história! A Globonews até mudou o nome desemprego para desocupação. Tudo isso para omitir a grave situação econômica e social que está o Brasil”.

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Debora e Cleide –  foto: Dino Santos/Mídia Consulte 

Mulheres empoderadas podem mais 

A fala da Secretária de Políticas Sindicais da CNTTL e rodoviária no ABC paulista, Cleide Tameirão, emocionou as sindicalistas aeroviárias, aeroportuárias e aeronautas durante o Seminário, na tarde de quarta-feira (5).

Cleide falou sobre a necessidade de as mulheres atuarem de forma mais incisiva no movimento sindical. 

“ Sou motorista e única mulher na direção do Rodoviários do ABC. Quando a mulher chega ao movimento sindical se não lutar é vista como um vaso de flor. Sofremos muito preconceito e temos que provar que merecemos estar ali. Tive que provar que vim para somar e fazer a luta na garagem”, relembra.

A sindicalista reforçou que as mulheres precisam participar mais ativamente das ações do sindicato, como nas assembleias. “Temos que colocar as nossas reivindicações em pauta e fazer valer as nossas diferenças. Mulheres empoderadas e de luta podem mais”, conclama.   

Sobre as reformas propostas pelo governo golpista de Temer, Cleide foi enfática. “Isso é desmonte, não é reforma! Temos que lutar juntas contra esses retrocessos que nos afetarão de forma nefasta”, finaliza.