"O aumento de 42% nas passagens foi um dos vilões da inflação. As aéreas têm condições de oferecer um reajuste digno", frisa Orisson Melo

Segundo o presidente do Sindigru/CUT, a paralisação de uma hora pode acarretar atrasos de até cinco horas nos voos em todo o País

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No dia 22 de janeiro, os aeronautas e aeroviários da base da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC/CUT) vão cruzar os braços por uma hora, das 6h às 7h, em todos os aeroportos do Brasil.
A causa é justa: eles lutam por um reajuste salarial com ganho real no salário de 8,5%, a aplicação deste índice nos benefícios e melhores condições de trabalho.
Os trabalhadores na aviação civil merecem ser valorizados porque além de  desempenharem funções estratégicas nos aeroportos, são responsáveis pela qualidade e segurança nos voos dos passageiros.
As categorias já deixaram claro que caso as aéreas não apresentem uma proposta salarial digna a paralisação de uma hora será prolongada.
Nesta sexta-feira (16), a FENTAC e a bancada patronal, representada pelo Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA), voltam a negociar, às 14h30, na subsede do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), em São Paulo.
O Portal FENTAC/CUT conversou com o presidente do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru/CUT), Orisson Melo, e diretor financeiro da Federação sobre os impactos da paralisação no maior Aeroporto da América do Sul, o GRU Airport. Confira:

Portal FENTAC:  Quais os reflexos desta paralisação no maior aeroporto do Brasil e da América do Sul?
Orisson Melo: A ideia é fazer uma hora de paralisação, no dia 22 de janeiro, que poderá se estender nos próximos dias.
Isso terá um reflexo enorme nos aeroportos de todo o País gerando um atraso de até cinco horas nos voos nacionais e internacionais.
No GRU Airport, acreditamos que, por ser o maior em tráfego de passageiros do Brasil, o impacto do atraso de uma hora será bem maior, em razão também das conexões que são feitas entre os voos em Guarulhos entre os estados.

Portal FENTAC:  As aéreas reclamam que o setor tem sido afetado por crises mundiais. Mas os dados da aviação civil no Brasil  não mostram isso…
Orisson: É verdade. A aviação é um dos setores que mais cresce no País, ficando atrás apenas dos bancos.  O aumento da procura nas viagens de fim de ano, fez com que as passagens aéreas ficassem mais caras em 42% — transformando-se em um dos vilões da inflação, ao lado do aumento das tarifas de energia e alimentos. Outros dados são: a demanda operacional do transporte de passageiros cresceu 5,33% no Brasil, nos últimos 12 meses, segundo a  Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC).
Além disso, em 2014, foram transportados 121,6 milhões de passageiros, ante 115,2 milhões em 2013. A aviação civil no Brasil cresceu em média 213% nos últimos dez anos.

Portal FENTAC: Nesta sexta-feira (16) tem mais uma rodada com o SNEA. O que você espera?
Orisson: Que as aéreas avancem na negociação e atendam a nossa reivindicação de 8,5% nos salários e nos demais benefícios.
Nos últimos dez anos, apenas em 2006, 2009 e 2013, os aeroviários e aeronautas da base da CUT conquistaram ganhos reais nos salários maiores que 1%.  
Caso não haja avanço, a greve de uma hora no dia 22 de janeiro e os protestos estão mantidos nos aeroportos.

Viviane Barbosa, da Redação da FENTAC/CUT e SINDIGRU